A
cada ano se torna muito claro em minha mente a animalização do
homem, principalmente a do brasileiro, aquele sentido maior,
superior, que a cultura é realizada, está morrendo, e no lugar uma
subcultura animalizada se torna o padrão. Não estou defendendo uma
postura gnóstica, dizendo que a natureza enquanto tal é ruim, estou
afirmando que as características animais do homem se tornam a base
da cultura. Nos distinguimos dos animais, porém não existe espírito
humano sem corpo, a encarnação é algo necessário. As músicas
tocadas em uma festa da Unesp me parece um ritual de acasalamento,
pois apenas o caráter sexual do sujeito é realçado, todas as
frases – as vezes elas se resumem a grunhidos sugestivos – servem
para insinuar esse impulso. Nobreza, virtudes, coragem, amor,
sacrifício, isso não interessa quando os sujeitos estão presos aos
instintos básicos, não que o sexo tenha que ser negado e não possa
ser aproveitado (Pv 5.18-20), mas a sua desordem se assemelha a de
animais no cio. Em Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma que os que
buscam apenas prazeres sensitivos (comer, beber e se acasalar) se
assemelha a animais. O cristianismo propõe uma valorização do
sujeito em si, não interessa se ele for sexualmente atraente, ou com
uma personalidade incrível, mas todos são valiosos (Tg 2.9).
Precisamos andar na contra-mão dessa cultura, que vê os sujeitos
como potenciais para o prazer individual, o que prova isso são as
festas universitárias, se você não tem uma qualidade sexual você
não tem valor, pois o valor que se dá pra pessoa é o valor da
sensação individual.
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