segunda-feira, 27 de abril de 2020

Aforismo da bestialização humana


A cada ano se torna muito claro em minha mente a animalização do homem, principalmente a do brasileiro, aquele sentido maior, superior, que a cultura é realizada, está morrendo, e no lugar uma subcultura animalizada se torna o padrão. Não estou defendendo uma postura gnóstica, dizendo que a natureza enquanto tal é ruim, estou afirmando que as características animais do homem se tornam a base da cultura. Nos distinguimos dos animais, porém não existe espírito humano sem corpo, a encarnação é algo necessário. As músicas tocadas em uma festa da Unesp me parece um ritual de acasalamento, pois apenas o caráter sexual do sujeito é realçado, todas as frases – as vezes elas se resumem a grunhidos sugestivos – servem para insinuar esse impulso. Nobreza, virtudes, coragem, amor, sacrifício, isso não interessa quando os sujeitos estão presos aos instintos básicos, não que o sexo tenha que ser negado e não possa ser aproveitado (Pv 5.18-20), mas a sua desordem se assemelha a de animais no cio. Em Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma que os que buscam apenas prazeres sensitivos (comer, beber e se acasalar) se assemelha a animais. O cristianismo propõe uma valorização do sujeito em si, não interessa se ele for sexualmente atraente, ou com uma personalidade incrível, mas todos são valiosos (Tg 2.9). Precisamos andar na contra-mão dessa cultura, que vê os sujeitos como potenciais para o prazer individual, o que prova isso são as festas universitárias, se você não tem uma qualidade sexual você não tem valor, pois o valor que se dá pra pessoa é o valor da sensação individual.


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