A
cada ano se torna muito claro em minha mente a animalização do
homem, principalmente a do brasileiro, aquele sentido maior,
superior, que a cultura é realizada, está morrendo, e no lugar uma
subcultura animalizada se torna o padrão. Não estou defendendo uma
postura gnóstica, dizendo que a natureza enquanto tal é ruim, estou
afirmando que as características animais do homem se tornam a base
da cultura. Nos distinguimos dos animais, porém não existe espírito
humano sem corpo, a encarnação é algo necessário. As músicas
tocadas em uma festa da Unesp me parece um ritual de acasalamento,
pois apenas o caráter sexual do sujeito é realçado, todas as
frases – as vezes elas se resumem a grunhidos sugestivos – servem
para insinuar esse impulso. Nobreza, virtudes, coragem, amor,
sacrifício, isso não interessa quando os sujeitos estão presos aos
instintos básicos, não que o sexo tenha que ser negado e não possa
ser aproveitado (Pv 5.18-20), mas a sua desordem se assemelha a de
animais no cio. Em Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma que os que
buscam apenas prazeres sensitivos (comer, beber e se acasalar) se
assemelha a animais. O cristianismo propõe uma valorização do
sujeito em si, não interessa se ele for sexualmente atraente, ou com
uma personalidade incrível, mas todos são valiosos (Tg 2.9).
Precisamos andar na contra-mão dessa cultura, que vê os sujeitos
como potenciais para o prazer individual, o que prova isso são as
festas universitárias, se você não tem uma qualidade sexual você
não tem valor, pois o valor que se dá pra pessoa é o valor da
sensação individual.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Liderança, masculinidade e 6x9 de TWD
Como
já disse diversas vezes, a virtude máxima do cristianismo é o
sacrifício, seja por meio material, emocional, afetivo, etc.
Biologicamente o homem é um ser mais descartável que as mulheres,
pois para a difusão da espécie basta um, esse tem a capacidade de
engravidar todas as mulheres existentes. A mulher é algo mais
especial, pois ela só pode engravidar uma vez, gerando um filho por
vez, uma cria de um homem. Logo, os homens podem se sacrificar, pois
o estrago não será tão forte, biologicamente falando, do que a
morte de muitas mulheres. A capacidade física do homem, a sua força,
deriva para uma força moral, de caráter, para liderar, para guiar,
e consequentemente se doar. Seguindo essa lógica, Deus dotou o homem
para ser um sacrifício em si, sua vida tem que ser uma vida de
sacrifício, o “eu” não pode existir, pois sua força física e
moral devem existir para o outro. Não estou dizendo que a mulher não
pode exercer liderança, ou que ela não possa se sacrificar, mais
estou afirmando que Deus deu para o homem características
específicas para isso. Deus chama as mulheres para uma vida mais
sensível, ela tem em si um chamado para o cuidado, de certa maneira
ela se entrega, se sacrifica dessa forma. O homem, tem em si,
capacidade para inspirar coragem, e uma liderança verdadeira não é
autoritária, ela inspira nas pessoas a ação, inspira coragem,
esforço, fé, etc.
Isso
fica muito claro pra mim com o nono episódio da sexta temporada de
The Walking Dead. A cena alguns já conhecem, Alexandria tomada pelos
“errantes”, medo da morte, e um menino baleado no olho. A partir
disso Rick Grimes, guiado pela fúria, que, segundo Platão, é a
segunda parte da alma, começa o processo de limpeza dos “errantes”,
não temendo a morte, pois pra ele nada mais importa, pois seu filho
está à beira do fim. A exemplo de Rick, todos pegam em suas armas e
começam a lutar contra a ameaça que assolava o lugar amado deles,
pois o líder inspirou coragem, e por meio de seu exemplo, mostrou
que era possível a vitória. Nessa cena todos lutam, até mulheres,
mostrando que elas tem essa força dentro de si, mas que foi motivada
por uma atitude de coragem essencialmente masculina. Os cuidados
médicos de Denisie, a maneira como ela lidera a equipe médica,
manifesta a liderança feminina na área do cuidado, pois o cuidar é
afetivo, enquanto o lutar é brutal. No momento da luta ninguém
ficou “arregou” (nem Eugene), todos lutaram, não para si, mas
para o próximo, e lutando pelo próximo eles lutavam para si, apenas
quando isso ocorreu é que a cidade foi de fato salva. O “eu” é
desmotivante, nos faz fugir da guerra, do confronto, pois essas coisas são dolorosas, perdemos muito nelas, mas o “nós” nos motiva a lutar,
pois o que perderemos como indivíduos ganharemos no conjunto,
preservando aquilo que amamos.
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